Deathstars: conheça a banda de rock industrial que virá ao Brasil em maio
Depois de trazer Primal Fear, Grave Digger, Moonspell e Tiamat, a casa paulistana Carioca Club anuncia show da banda sueca de industrial rock Deathstars. Nesta única apresentação no Brasil, o grupo promoverá o mais novo álbum Night Electric Night, lançado em janeiro do ano passado, quando completaram 8 anos de carreira.
Produzido em Estocolmo, o cd bem demonstra as diferenças de uma banda que em 1993 tocava death metal, identificando-se como Swordmaster. De lá para cá, a formação manteve-se intacta senão pela saída do guitarrista Erik Halvorsen (aka Beast X Electric). Sendo assim, Deathstars são o vocalista Andreas Bergh (aka Whiplasher Bernadotte), os guitarristas Emil Nödtveidt (aka Nightmare Industries) e Eric Bäckman (aka Cat Casino), o baixista e vocal de apoio Jonas Kangur (aka Skinny Disco) e o baterista Ole Öhman (aka Bone W. Machine).
A banda possui em sua discografia os álbuns de estúdio Synthetic Generation (2002), Termination Bliss (2006) e Night Electric Night (2009). Logo no primeiro trabalho, Deathstars definiu como hit a música Our God The Drugs, em que a voz arranhada e aguda (próxima da proposta de Dani Filth, de Cradle of Filth, banda com qual fizeram tour em 2005) se mistura a um vocal grave parecido com o de Till Lindemann (Rammstein) e ainda põe em conflito temáticas trazidas do metal com a ideologia cyberpunk presente na música industrial:
What do angels dream, do angels sleep, do demons dream of darkness deep?[…] It’s our God the Drugs; It’s a new world code of bliss dressed in skin.
Daí em diante, os outros dois álbuns não demonstraram o mesmo estilo de guitarra que em Synthetic Generation. Em Night Electric Night, que estava em preparação desde 2007, alguns fãs consideram que se perdeu o peso original que a Deathstars inseria em suas composições no início da carreira. A faixa que dá título ao cd muito se assemelha às músicas do grupo inglês Cradle of Filth, especificamente com a melodia de Her ghost in the fog.
No entanto, Death dies hard, que ganhou videoclipe, possui um refrão cativante por reforçar a base repetida ao longo da música. Repetindo o pessimismo na letra, esta faixa torna-se mais interessante justamente pelo vídeo, preenchido por uma estética típica da cena industrial, seja pelo cenário de uma metrópole preenchida de publicidade luminosa e prédios grandes ou pela estética dos artistas.
O figurino adotado pelos integrantes da Deathstars é típica e vastamente explorado por bandas relacionadas, como a italiana Dope Stars Inc – que até poderia ser considerada a irmã mais nova e mais pop – e Marilyn Manson, o antichrist superstar. O cap, a maquiagem, as lentes e até mesmo a farda demonstrados no clipe já são elementos explorados pelo astro grotesco em clipes como Fight Song e em alguns photoshoots dos anos 1990. Obviamente, esta combinação não é original do artista que regravou sucessos como Sweet Dreams e Tainted Love, a eslovena Laibach já adotava o estilo em 1980. As roupas e acessórios militares e fetichistas fazem parte da estética da música industrial, gênero de música eletrônica surgido nos anos 1970.
Outro aspecto visível pelo clipe de Death dies hard é o glamour evocado pelas mulheres. Esse costume vem desde o – literalmente – Glam e Hard Rock, gêneros que também abusavam das calças de couro justas, de maquiagens extravagantes e de vozes escandalosas. Afinal, os cabelos e cores vinham do Twisted Sister, a androginia de Axl Rose e de David Bowie, sendo estes dois últimos considerados galãs de uma era. Trazer as figuras femininas para a ostentação do homem recomposto é uma proposta bastante comum ao Manson que, apesar da polêmica aparência, já namorou a dançarina Dita Von Teese e as atrizes Evan Rachel Wood e Stoya.
Afinal de contas, apesar de levantar sobrancelhas e contorcer os lábios de alguns espectadores e ouvintes, bandas como Deathstars acabam por seguir a filosofia de Patricia Morrison, ex-baixista da banda Sisters of Mercy, atualmente casada com Dave Vanian, do The Damned: “Acho que tenho um gosto bastante eclético. Gosto muito da música dos anos 60, da psicodelia. […] O glamour. Isto é o que eu sempre gostei mais. A cena gótica se divide em várias vertentes, algumas parecem mais grotescas, outras mais pesadas, mas eu gosto do glamour” (do The Tiki Nightmare DVD).
Data: 30/05/2010
Local: Carioca Club
Preço: a partir de 30 reais (pista, meia entrada)
Onde comprar: Lady Snake e Ticket Brasil
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Filed under: Notícia, Resenha, Youtube | 1 Comentário
Tags:bandas, Brasil, carioca club, cyberpunk, death, deathstars, gótico, industrial, Música, metal, Rock, suécia
Lidia Zuin
19, estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, iniciação científica Wired Protocol 7:um estudo sobre Serial Experiments Lain e a alucinação consensual do ciberespaço, pentelha de professores, querendo ser pesquisadora, querendo estudar na Alemanha (antes mesmo de dominar a língua deles), querendo dominar o mundo e transformá-lo num cenário Cyberpunk 2020.Pick-’em-up
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