Nell Sigland, foto de Sérgio Borelli

Neste último domingo, dia 27, a banda norueguesa Theatre of Tragedy veio ao Brasil para o grand finale de uma carreira de dezessete anos compilados em um show de quase duas horas. O Carioca Club, não tão preenchido de fãs de um dos ícones do Gothic Metal, recebeu os espectadores antes mesmo do horário programado para a abertura dos portões.

Perto das 19 horas, a banda goiana Volúpia de Baco subiu ao palco para abrir uma noite marcada por grupos de metal com vocal duplo: uma mulher e um homem. O nervosismo e timidez dos integrantes deixou a apresentação um pouco a desejar, mas as músicas finais, com mais fôlego nos acordes melhor familiarizou a platéia às composições próprias. Já o segundo grupo de abertura, o paulistano Ravenland, apresentou músicas do recente CD “…And a Crow Brings me Back”, que foi entregue de brinde na compra do ingresso. As músicas “Soulmoon” e “Nas Asas do Corvo” foram bem acompanhadas em coro incentivado pelo vocalista Dewindson. O único problema foi técnico, já que houve uma falha no microfone de Camilla.

Relembrando

Às 21h30, as cortinas voltaram a se abrir, trazendo à vista não mais uma banda de abertura, mas a atração principal. Já estavam em posição Erik Torp (baixo), Frank Claussen (guitarra), Vegard K. Thorsen (guitarra), Hein Frode Hansen (bateria), Lorentz Aspen (teclado) – os dois últimos sendo os únicos instrumentistas fiéis à formação de 1993. Pouco depois, Raymond István Rohonyi (vocalista) entrou sozinho no palco, oferecendo um sorriso tímido que se desembaraçaria ao longo do show. Nell Sigland, cantora que bem preencheu o vácuo deixado pela demissão de Liv Kristine, chegou logo depois, demonstrando a delicadeza de uma banda essencialmente formada por homens.

A primeira música, “Hide and Seek”, trouxe uma amostra do single Deadland, lançado no ano passado. O ânimo chegou mesmo em “Lorelei”, que levou Raymond e Nell para a parte mais baixa do palco. Não só interagiam com a platéia mais próxima como também ofereciam a mão àqueles que não deixaram de estendê-la durante a noite. A surpresa veio com “A Rose for the Dead”, que levantou comentários de exaltação por parte da platéia. A partir dai, a idéia de que Nell é tão boa cantora quanto Liv tornou-se indubitável. Outras músicas que animaram a platéia foram “Storm” e “Cassandra”.

A despedida

Sem muito conversar com os fãs, Raymond e Nell se limitaram aos agradecimentos, arriscando fazê-los em português vez ou outra. Após uma breve saída, o encore trouxe “Machine”, que foi fortemente acompanhada pela platéia – durante os intervalos de outras músicas, já se ouvia os pedidos por ela. Mais uma vez, Raymond e Nell interagiam entre si, contudo, além de se entreolharem enquanto cantavam, o vocalista resolveu aproveitar a empolgação da cantora para deixar a mão escorregar por seu quadril. Um meio sorriso bastante tímido foi a resposta dela.

Tendo prometido como última canção da noite “Der Tanz Der Schatten”, as cortinas se fecharam ao seu fim e as luzes parcialmente se acenderam. Algumas pessoas entenderam aquilo como um adeus, porém, poucos minutos depois, Nell voltou ao palco acompanhada do tecladista Lorentz. A vocalista agradeceu à equipe de produção e aos presentes naquela despedida, justificando que, afinal, tudo termina. Assim, ela anunciou “Forever is the World”, desfazendo as esperanças de quem acreditava que os dois fariam dueto para “…A distance there is”, que, inclusive, fez falta.

Apesar de o show ter sido equilibrado, no sentido de bastantes exemplos de composições feitas ao longo da carreira, nenhuma música do álbum “Assembly”, que marca a fase industrial do Theatre of Tragedy, foi tocada.

SETLIST

1. Hide And Seek
2. Bring Forth Ye Shadow
3. Lorelei
4. Frozen
5. Ashes And Dreams
6. A Rose For The Dead
7. Fragment
8. And When He Falleth
9. Venus
10. Hollow
11. Storm
12. Image
13. Cassandra
14. A Hamlet For A Slothful Vassal
15. Fade
Encore:
16. Machine
17. Der Tanz Der Schatten
18. Forever Is The World


Programa de rádio publicado em 2009, na Web Rádio do Centro Cultural São Paulo
http://www.radioccsp.net/index.php?option=com_content&task=view&id=576&Itemid=35


Deathstars esbanja energia em sua primeira vinda ao Brasil

IMG_1888 by Alexandre Cardoso.Foto de Alexandre Cardoso

Os trinta minutos de atraso foram mal disfarçados por uma tela a projetar o canal Cartoon Network ao som de uma playlist com direito a Rammstein e Zeromancer. Silenciosos, os fãs da banda sueca Deathstars, sem contemplar show de abertura, só reclamaram a demora depois de o som parar e dar a entender que os cinco músicos – Whiplasher Bernadotte (vocal), Skinny Disco (baixo e vocal de apoio), Nightmare Industries (guitarra), Cat Casino (guitarra) e Bone W. Machine (bateria) – finalmente subiriam ao palco na noite do dia 30 de maio.

Simples, a montagem do show contou apenas com a iluminação do Carioca Club, uma bandeira com o símbolo da banda, instrumentos de corda e percussão – o teclado, tocado por Nightmare, foi inserido como gravação. Às 20h30, os integrantes mostraram-se uniformizados pela maquiagem branca no rosto e pela roupa preta imitando farda militar. Cada um carregava no braço esquerdo uma faixa com seu nome artístico e Whiplasher, com cap, batom vermelho e glitter prata em volta dos olhos, envolveu a bota esquerda com uma tira de fita isolante prateada.

Na turnê Night Electric Night, que passou pelo México, Argentina e agora Brasil, a música de abertura não deixaria de ser a faixa que dá título ao terceiro álbum e ao ciclo de shows. Logo na primeira execução, o vocalista Whiplasher provou do calor brasileiro e acabou se livrando do casaco. Com a agitação do cantor, o glitter rapidamente se espalhava pela roupa umedecida de suor. Sem temer a euforia dos fãs, o Whiplasher descia à ponta do palco e se permitia ser tocado nas pernas e, inclusive, no fecho da calça. Isso o animou a ponto de passar a rebolar em músicas como Babylon.

Desenvoltura

Para uma boa apresentação, não são necessários grandes investimentos em cenário e efeitos especiais. A simpatia do grupo sueco era demonstrada ao remeter olhares à platéia, ao conversar com o público antes de iniciar uma música e ao pedir palmas – até mesmo o baterista Bone, escondido aos fundos, estendia as baquetas para cima. Os guitarristas e baixista, de cabelos compridos e pretos, “bangueavam” e, juntos, davam ritmo às constantes mãos que subiam aos gritos de “hey”, às vezes confundido com “hail” enquanto Whiplasher batia continência aos fãs.

As pequenas histórias contadas pelo vocalista ao anunciar a seguinte música variavam. Todos os comentários mencionavam o título, mas mais intrigante foi quando o cantor disse que, no Brasil, a predominância de cor de cabelo era escura. “Na Suécia, a maioria das pessoas é loira. As meninas de lá são muito vaidosas, adoram se mostrar pelas ruas. Às vezes, eu tenho vontade de destruí-las”, comentou sorrindo. E assim, o grupo iniciou Blood Stains Blondes. Não fica atrás, no entanto, o momento em que a banda anunciou Mark of the Gun, convidando a platéia a saber mais sobre “as trevas”.

No fim do show, todos cediam ao calor: Skinny ficou sem camisa, enquanto os demais preferiram só desabotoar. O bis contou com Death Dies Hard – música que mais provocou frenesi entre os paulistanos –, The Revolution Exodus, The Last Ammunition e, enfim, Play God. Como agrado, foi customizada uma bandeira do Brasil com o círculo azul substituído pelo símbolo da banda. Como lembrança, o guitarrista Cat entregou sua palheta logo nas primeiras músicas, Bone arremessou suas baquetas em direção aos camarotes e Whiplasher, para a surpresa de todos, entregou seu cap ao público próximo ao palco. Sem dúvida alguma, o show que durou aproximadamente 1h30 teve seu valor justamente pela energia, sincronia e pela amizade – entre os músicos e os fãs e dentro da própria banda.

Setlist

Night Electric Night
Motherzone
Semi-Automatic
Mark of the Gun
Arclight
New Dead Nation
Babylon
Tongues
The Fuel Ignites
Damn Me
Chertograd
Blitzkrieg!
Blood Stains Blondes
Cyanide
Trinity Fields
Death Dies Hard
The Revolution Exodus
The Last Ammunition
Play God


Sem querer estagnar, a banda inglesa Placebo deixa alguns fãs nostálgicos decepcionados

foto de Daigo Oliva

Gente berrando para garantir seu lugar na fila: “Sai! Eu estou aqui desde meio dia!”; pessoas sentadas ao redor da fonte e sobre as calçadas do Credicard Hall, na noite de sábado, 17. Depois de três anos, a banda inglesa Placebo volta para o Brasil com baterista novo, Steve Forrest, e participação especial de Fiona Brice no teclado, theremin, violino e vocais de apoio.

Reunindo 4 mil espectadores, o show foi aberto pela banda paulistana Superdose. As músicas próprias, como Cidade Luz, eram composições em português anunciadas com clichês do tipo “essa é para a galera do rock’n’roll”. É óbvio. Ainda que os telões do local anunciassem um show do cantor Belo, durante os intervalos, ali estavam reunidos milhares de fãs que representavam a antiga fase do Placebo, mais dark, e a atual, segundo os próprios artistas, mais pop e leve.

Quem comprou Platéia Premium, apesar de estar mais perto do palco, não foi tão feliz assim: o preço relativamente próximo do oferecido pela Platéia Comum fez com que bastante gente preenchesse o espaço. Mas quem permaneceu do lado esquerdo do palco pôde contemplar com mais facilidade a figura menos andrógina de Brian Molko, que começou o show pontualmente, às 22 horas. O cantor de 37 anos e pai de Cody, com a intensidade do lápis de olho reduzido e batom mais discreto, já não mais se preocupa em reduzir sua virilidade. Battle for the Sun (2009) é um álbum de mudanças, de elevação dos ânimos baixos carregados há mais de dez anos.

A simplicidade do show não esteve somente no figurino predominantemente branco, senão pela camisa de Molko e as vestes dos músicos de apoio (Nick Gavrilovic e Bill Lloyd). O jogo de luzes variou entre o branco, vermelho, amarelo e azul. Fiona, de vestido branco e cabelos loiros, ao ser iluminada pela luz alva, fazia inveja ao anjo Gabriel em representações d’A Anunciação. A energia ficou concentrada no baixista Stefan Osdal.

Os fãs de coturno, calça de couro e maquiagem preta não conseguiram achar ali o mesmo Placebo de 1994. “Joguei meu dinheiro no lixo”, um deles se pronunciou, no fim de exatos 90 minutos de show. Mas os gritos não foram menores por isso. A apresentação, iniciada com For what is worth, ganhou mais ânimo em Battle for the Sun, quando, aos pulos, a platéia cantava junto aos versos repetitivos. As músicas dos outros álbuns foram escolhidas na intenção de agradar a todos: Every You Every Me, Special K e Special Needs foram as mais acompanhadas. Destas composições antigas, a única que deixou a desejar foi Meds, iniciada em marcha lenta e finalizada no mesmo, senão pelo dedo que Molko levou à boca e à loucura dos fãs.

A acústica do Credicard Hall ajudou a performance da banda. Bem reproduzidas ao vivo, as músicas não abalaram Molko, que manteve sua voz idêntica às gravações em estúdio. Sem muito interagir com o público, como de costume, o vocalista só fez comentários sobre a música Speaking in tongues, quanto a programas de televisão que mostram pastores “possuídos por Jesus”, e pediu para que o público cantasse ainda mais alto em The Bitter End, uma das músicas finais.

O show agradou, mas falhou no exagero de simplicidade visual (telão com videoarte) e por não conseguir sobrepor a nostalgia dos fãs. Mais que o preço, um dos motivos que minguou a platéia foi o temor de perder de vista a antiga imagem do Placebo: um Molko andrógino, de vestido e batom vermelho, e a melancolia de músicas como Blind, Sleeping with ghosts e Without you I’m nothing. Esse toque mesmo só foi levemente atenuado com Follow the cops back home.

SETLIST

1- For What It’s Worth
2- Ashtray Heart
3- Battle For The Sun
4- Soulmates
5- Speak In Tongues
6- Follow The Cops Back Home
7- Every You Every Me
8- Special Needs
9- Breathe Underwater
10- Julien
11- The Never-Ending Why
12- Bright Lights
13- Devil In The Details
14- Meds
15- Song To Say Goodbye
16- Special K
17- The Bitter End
Encore
18- Trigger Happy
19- Infra-red
20- Taste In Men


Depois de trazer Primal Fear, Grave Digger, Moonspell e Tiamat, a casa paulistana Carioca Club anuncia show da banda sueca de industrial rock Deathstars. Nesta única apresentação no Brasil, o grupo promoverá o mais novo álbum Night Electric Night, lançado em janeiro do ano passado, quando completaram 8 anos de carreira.

Produzido em Estocolmo, o cd bem demonstra as diferenças de uma banda que em 1993 tocava death metal, identificando-se como Swordmaster. De lá para cá, a formação manteve-se intacta senão pela saída do guitarrista Erik Halvorsen (aka Beast X Electric). Sendo assim, Deathstars são o vocalista Andreas Bergh (aka Whiplasher Bernadotte), os guitarristas Emil Nödtveidt (aka Nightmare Industries) e Eric Bäckman (aka Cat Casino), o baixista e vocal de apoio Jonas Kangur (aka Skinny Disco) e o baterista Ole Öhman (aka Bone W. Machine).

A banda possui em sua discografia os álbuns de estúdio Synthetic Generation (2002), Termination Bliss (2006) e Night Electric Night (2009). Logo no primeiro trabalho, Deathstars definiu como hit a música Our God The Drugs, em que a voz arranhada e aguda (próxima da proposta de Dani Filth, de Cradle of Filth, banda com qual fizeram tour em 2005) se mistura a um vocal grave parecido com o de Till Lindemann (Rammstein) e ainda põe em conflito temáticas trazidas do metal com a ideologia cyberpunk presente na música industrial:

What do angels dream, do angels sleep, do demons dream of darkness deep?[…] It’s our God the Drugs; It’s a new world code of bliss dressed in skin.

Daí em diante, os outros dois álbuns não demonstraram o mesmo estilo de guitarra que em Synthetic Generation. Em Night Electric Night, que estava em preparação desde 2007, alguns fãs consideram que se perdeu o peso original que a Deathstars inseria em suas composições no início da carreira. A faixa que dá título ao cd muito se assemelha às músicas do grupo inglês Cradle of Filth, especificamente com a melodia de Her ghost in the fog.

No entanto, Death dies hard, que ganhou videoclipe, possui um refrão cativante por reforçar a base repetida ao longo da música. Repetindo o pessimismo na letra, esta faixa torna-se mais interessante justamente pelo vídeo, preenchido por uma estética típica da cena industrial, seja pelo cenário de uma metrópole preenchida de publicidade luminosa e prédios grandes ou pela estética dos artistas.

O figurino adotado pelos integrantes da Deathstars é típica e vastamente explorado por bandas relacionadas, como a italiana Dope Stars Inc – que até poderia ser considerada a irmã mais nova e mais pop – e Marilyn Manson, o antichrist superstar. O cap, a maquiagem, as lentes e até mesmo a farda demonstrados no clipe já são elementos explorados pelo astro grotesco em clipes como Fight Song e em alguns photoshoots dos anos 1990. Obviamente, esta combinação não é original do artista que regravou sucessos como Sweet Dreams e Tainted Love, a eslovena Laibach já adotava o estilo em 1980. As roupas e acessórios  militares e fetichistas fazem parte da estética da música industrial, gênero de música eletrônica surgido nos anos 1970.

Outro aspecto visível pelo clipe de Death dies hard é o glamour evocado pelas mulheres. Esse costume vem desde o – literalmente – Glam e Hard Rock, gêneros que também abusavam das calças de couro justas, de maquiagens extravagantes e de vozes escandalosas. Afinal, os cabelos e cores vinham do Twisted Sister, a androginia de Axl Rose e de David Bowie, sendo estes dois últimos considerados galãs de uma era. Trazer as figuras femininas para a ostentação do homem recomposto é uma proposta bastante comum ao Manson que, apesar da polêmica aparência, já namorou a dançarina Dita Von Teese e as atrizes Evan Rachel Wood e Stoya.

Afinal de contas, apesar de levantar sobrancelhas e contorcer os lábios de alguns espectadores e ouvintes, bandas como Deathstars acabam por seguir a filosofia de Patricia Morrison, ex-baixista da banda Sisters of Mercy, atualmente casada com Dave Vanian, do The Damned: “Acho que tenho um gosto bastante eclético. Gosto muito da música dos anos 60, da psicodelia. […] O glamour. Isto é o que eu sempre gostei mais. A cena gótica se divide em várias vertentes, algumas parecem mais grotescas, outras mais pesadas, mas eu gosto do glamour” (do The Tiki Nightmare DVD).

Data: 30/05/2010

Local: Carioca Club

Preço: a partir de 30 reais (pista, meia entrada)

Onde comprar: Lady Snake e Ticket Brasil


É conspiração?
Doomsday foi  lançado em 2008, mas chegou logo agora ao Brasil, junto da gripe suína!

Quando um vírus mortal ataca a Inglaterra, o governo se vê forçado a isolar a praga em uma região, construindo um muro ao redor da cidade. 30 anos de isolamento depois, o vírus ataca novamente. Cabe ao governo escolher uma equipe de especialistas para entrar na área proibida atrás de uma cura.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Juízo Final
Título Original: Doomsday
País de Origem: Inglaterra / EUA / África do Sul
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento: 2008
Estréia no Brasil: 21/08/2009
Site Oficial: http://www.doomsdayiscoming.com
Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
Direção: Neil Marshall

Elenco
Caryn Peterson … Vagrant Girl
Adeola Ariyo … Nurse
Emma Cleasby … Katherine Sinclair
Christine Tomlinson … Eden Sinclair
Vernon Willemse … David / Gimp
Paul Hyett … Hot Dog Victim
Daniel Read … Sergeant #1
Karl Thaning … Pilot
Stephen Hughes … Soldier #1 / Johnson
Jason Cope … Wall Guard
Ryan Kruger … Soldier
Nathan Wheatley … Patient “X”
Cecil Carter … DDS Assault Trooper
Jeremy Crutchley … Richter
Rhona Mitra … Maj. Eden Sinclair

retirado de: http://www.interfilmes.com/filme_19580_Juizo.Final-%28Doomsday%29.html

O que acontece se um vírus eclode na Escócia, matando milhares de pessoas? Não, elas não viram zumbis. Por mais que você se lembre de Resident Evil, a doença não é conspiração e a gripe suína nem estava aí quando o filme foi lançado (2008).

Com tanta gente infectada e morrendo, sem nenhuma possibilidade de cura, prevenção ou tratamento, a solução do governo é isolar o país com enormes muros que remetem à barreira romana. Quem entra e quem sai? Ninguém. Soldados atiram em quem insistir, mas com muita chantagem emocional, uma mãe consegue fazer com que os militares levem sua pequena Eden, recém atingida no olho por uma bala perdida.

A Inglaterra (e conseqüentemente todo o Reino Unido) está decadente lá pelo ano de 2035. E para piorar, o vírus Reaper está de volta. O governo inglês pretende tomar a mesma atitude escocesa, mas às escondidas, um dos líderes tem um plano: satélites conseguiram imagens de humanos no que já foi a Escócia. O problema é quem é que vai lá tentar achar os sobreviventes e, talvez, a cura com um tal de Kane? Pior: dentro de 48 horas. Sem problemas: temos uma femme fatale que mendiga cigarros e não liga muito para a vida. Além do mais, ela guarda uma única lembrança que a faz saber quem é: o endereço de sua casa, no país-fantasma em que, até então, jamais poderia ir.

E lá vai Major Sinclair, no “pretinho básico”, com o tapa-olho sistemático por debaixo de uma armadura supertecnológica. Ninguém se lembrou do veterano de guerra Solid Snake? Ninguém se lembrou da couraça do Raiden em Metal Gear 4? Tudo bem, a gente releva. O que às vezes é seu olho, também é uma câmera que registra num relógio tudo aquilo que “vê”.

Junto de uma equipe, Major Sinclair procura sobreviventes em Glasgow. Um dos parceiros, derretido por uma garota fragilizada, sai do tanque e a captura. Muito esperta, a “vítima” escapa e em agradecimento lhe corta a jugular. Bem,

A garota do chefe

A garota do chefe

antes disso, já vimos bastante sangue, bastantes crânios explodindo com tiros, dedos esmagados contra portões e vale lembrar que a classificação é de 14 anos. Também não deixemos de lado o fato de que nossa querida pátria tirou trinta minutos do filme Halloween para baixar a classificação para 16 e não tem nem metade da violência que há em Juízo Final.

A partir daí que começa a esquentar. A equipe descobre que não havia um ou dois sobreviventes, mas uma legião de… aborígepunks. Muito parecidas com os de Johnny Mnemonic (1995, Robert Longo), essas pessoas têm cabelos coloridos, moicanos e tatuagens tribais por todo o corpo atacam os soldadinhos hi-tech que vieram da caixa de bonecos de ação Inglaterra. Seu líder, a grande estrela do sistema solar, é um misto de Billy Idol com Iggy Pop. Sol é sádico, psicopata e mantém um escravo em roupas de látex. “Você gosta de sentir dor?” A Major, depois de levar vários socos no estômago, tem o brinco arrancado pelos dentes de Sol. O sangue só durou naquela cena mesmo.

Presa e sem armas, o que a Major poderia fazer? Lá fora, a festa rolava ao som de Spellbound, de Siouxsie and the Banshees. O líder político-ideológico pseudo-Inca era mais um rockstar com suas groupies dançando semi-nuas que qualquer outra coisa. O panis et circensis são punks de kilt fazendo paródia patriótica. Eles descobriram que há vida por detrás dos muros! Eles descobriram que a Major parece a Aeon Flux (Karyn Kusama, 2005) e eles vieram do

Sol, o líder surtado

Sol, o líder surtado

mesmo filme! Então o pau vai comer. Kane, o cientista que mentiu para eles até agora, ia virar refeição para o povo. A garota do chefe é quem faz as honras ao acender a fogueira sob o homem. Enquanto isso, Sinclair engana um guarda burro (sempre, né?) e escapa da cela.

Uma garota presa pede por socorro: mas por que uma Major como Sinclair vai soltar a loirinha a la t.A.T.u.? O motivo vem com a informação de que ela sabe onde está Kane e mais, que o cara é seu pai e que Sol é seu irmão. Família saudável, hm? As duas fogem e encontram os parceiros de Sinclair que sobreviveram ao ataque. Também acham um amigo, um pseudo-Legolas. Por quê? Bem, enquanto Sinclair e os outros carregam metralhadoras e um olho cibernético, o tio aí usa arco e flecha.

Aí começa a mindfuck. Se você imaginava um filme de futuro caótico, vai alegrar seu nerd medieval interior ou torturar seu geek futurista. As personagens caminham pelas gramíneas escocesas em busca de Kane. Pela floresta, Legolas, Aragorn e Sinclair são surpreendidos por nada mais e nada menos que um cavaleiro em sua armadura férrea. Sobre o cavalo, o carrasco de Kane ameaça os viajantes. Major opta pela redenção: claro, certamente ela vai chegar viva aos domínios de Kane.

Domínios de Kane? É, o velho que um dia foi Alex DeLarge mora num castelo, meus queridos. “Em terra de infectado, o imune é rei”. Ele juntou seus próprios servos, montou sua economia medieval, encarnou o Tolkien. Na sala principal, o sacerdote mexe num grande livro (Bíblia segundo Kane?). O rei dá a sentença: quem mandou eles virem e mostrar que existe algo além de suas palavras? Calabouço neles, arena nela. Major Sinclair de calça e blusinha versus cavaleiro de armadura, cavalo e lança. Lança e maça, para ser mais exato. Quem ganha sob as vaias da platéia? Nem conto, só deixo aspas: “Se eu perdi alguma coisa? Perdi o juízo”.

Castelo sendo atacado! Orcs, trolls, dragões? Que nada. O bandinho da Major foge e pega o mesmo atalho de antes, um túnel subterrâneo antes usado por militares. O que eles acham lá dentro? Um super carro sport para dar inveja em qualquer 007. Prático, normal. Também acharam rádios comunicadores. Mas a essa altura já se tinham passado aquelas 48 horas do prazo (ainda bem, né?).  Sinclair se comunica com alguém na Inglaterra, que já estava bastante ferrada pelo vírus . Dá um relatório geral.

Fugido dali, a milhares de quilômetros por hora em alguma rodovia, eis que surge um carro de polícia que quase deixa a Major no chinelo. Sol está lá dentro e traz reforços. O cara pula sobre o carro, mais dois invadem pelas janelas, atrapalham a motorista, desacordam a loirinha. É uma orgia thriller. Confesso que é até engraçado, remeteu-me um pouco Planeta Terror, de Robert Rodriguez. Ah! E ninguém perde o controle do carro, ok? O alinhamento foi feito há… uns trinta anos. Mas está tudo certo.

Depois de muito tentar se livrar de Sol, o punk surtado finalmente se ferra e morre esmagado por um carro. Fim da ópera: os ingleses vêm resgatar a equipe de Sinclair que se resume a um soldado e a loirinha sobrevivente. Ela vai embora, talvez virar vacina, a Major resolve voltar a ser Eden e visitar sua casa. Lá encontra uma foto de sua mãe e pela primeira vez mostra sentimentos (senão vontade de fumar): chora ao saber quão bonita ela era.

Se ela vai sair dali? Não! Está louco? Os aborígenepunks estão lá ainda, sem líder. Com a cabeça de Sol na mão, Sinclair se torna a rainha e assim termina a maior mescla de elementos que fazem um thriller bom: carro esporte, explosão de carros, mulher bonita, sangue, cabeças rolando, tiros, femme fatale, políticos, epidemias, multidões e um toque de clássicos (painel com cena de Metropolis, de Fritz  Lang). Eu dou cinco estrelas para um filme que nem precisou pôr seios e bundas!


Texto por: Lidia Zuin

Revisão: Paula Bassi

originalmente disponível e produzido para:  http://www.centrocultural.sp.gov.br/saiba_mais/musica_rockabilly_2009_07.asp

O gênero surgiu quando a música produzida pela comunidade negra nas igrejas, com guitarra elétrica e percussão, saiu do ambiente sagrado e passou pelo blues, pelo boogie e demais estilos até se transformar no rock. O Rockabilly trouxe muitas influências da música country e western, além do blues e o bluegrass – o cantor Carl Perkins costumava dizer que o estilo era um “blues com uma batida country”.

Denominada um “pré-rock caipira”, essa vertente tem sua história delineada pela inovação do hillbilly (música country americana influenciada por composições irlandesas) e como a nova música seria vendida. A origem do rockabilly está muito relacionada a uma pequena gravadora na cidade de Memphis: a Yellow Sun, de Sam Phillips, que mantinha uma linha de produção composta apenas por artistas negros que tocavam blues, como as bandas Chess in Chicago e RPM on The Coast. No entanto, quando Elvis Presley procurou a Yellow Sun para gravar em homenagem a sua mãe a música That’s All Right, por U$3,89, Sam abriu uma exceção. Mais tarde, aquele desconhecido jovem branco seria coroado como Rei do Rock. Depois disso, outros músicos brancos foram aceitos por Phillips: Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Charlie Rich, Roy Orbison (The Big O), Sonny Burgess, Warren Smith, Onie Wheeler e Malcolm Yelvington.

Apesar da cidade de Memphis, Tennessee, ter se tornado a capital do rockabilly, no sul, mais artistas se aproximavam do estilo. Na Califórnia, Ricky Nelson, graças ao seu guitarrista James Burton, de Louisiana, passou a fazer parte dessa estatística que, aliás, era predominantemente composta por homens – com exceção da cantora e guitarrista Wanda Jackson.

Também conhecido como cat music, o rockabilly era o subterfúgio de jovens que desejavam fugir do padrão musical seguido pelos pais. E esse caminho era novo, porque não chegava a se comparar ao primeiro hit rock, a canção Rock Around the Clock, de Bill Haley and his Comets, nem com o som feito pelos cantores Rou Acuff e Ernest Tubb: era, na verdade, uma fusão desses artistas.

Tecnicamente, a sonoridade do rockabilly segue um ritmo uptempo (acelerado), acentuadas batidas da percussão e o slapped bass (efeito de vibração da corda do baixo elétrico após ir de encontro aos trastes e à escala do instrumento). Essas características foram bem demarcadas pelo trio formado por Elvis Presley e Scotty Moore nas guitarras e Bill Black no baixo. Não só esses instrumentos se inseriam na cena rockabilly, mas também a bateria e o piano, bem representado por Lewis.

Outro efeito inserido nas músicas veio de experimentos realizados por Sam Phillips junto de Leonard Chess. Em Chicago, os dois usaram canos e a acústica de um banheiro para criar eco. Os críticos da época costumavam dizer que o efeito ecoado era uma maneira de disfarçar falhas no vocal, além de muitas vezes deixar a letra das músicas indecifráveis.

No entanto, as canções rockabilly não tinham em suas palavras um grande significado. Muito freqüentemente, os temas eram brincadeiras de criança, marcas de roupa, rimas infantis e grandes abstrações que chegavam a compor odisséias no espaço. Esses tópicos podem ser conferidos em música como Put Your Cat Clothes On, de Carl Perkins; Be-Bop-a-Lula, de Gene Vincent; Ooby Dooby, de Roy Orbison; Tongue Fred Joll, de Charlie Feathers; Flyin’ sauces Rock’n’Roll, de Lee Riley and the Little Green Men.

Já o canto era basicamente composto por espasmos, repetição de sílabas e vibrações vocais, como em Baby Let’s Play House, de Elvis Presley. Outros artistas como Buddy Holly, Freddy Fender e Narvel Felts também seguiam esse estilo em seu canto.

O rockabilly montou sua imagem como um representante da rebeldia e também do jovem espirituoso. Seu início está marcado pela figura de Elvis, não somente por sua qualidade como artista, mas pela notoriedade que conseguiu ao redor do mundo. Sua maciça influência, presente até os dias de hoje, levou Ricky Nelson, em 1957, a fazer um rockabilly de subúrbio, levando consigo o repertório e o sorriso de Elvis. Já Gene Vincent, um ano antes, preferia trazer de volta o jovem Presley, com seu grande e brilhante topete.

O desaquecimento do rockabilly veio com uma série de fatores envolvendo os maiores representantes da cena: em 1958, Elvis entrou para o exército; o escândalo do casamento de Jerry Lee Lewis com sua prima Myra Gale Brown de 14 anos; o acidente de carro sofrido por Carl Perkins, em 1956, e a queda na venda da canção Blue Suede Shoes; o acidente de táxi, em 1960, que provocou um grave dano numa das pernas de Gene Vincent e a morte de Eddie Cochan, noivo da compositora Sharon Sheeley, que também estava no veículo.

Quase todos os artistas voltaram a ter a mesma vida de antes da fama. Sonny Burgess, por exemplo, passou a trabalhar como caixeiro viajante. Outros quiseram voltar com a música gospel e country e ainda havia os persistentes Billy Lee Riley e Warren Smith, que se mantiveram no rockabilly. No fim, o rock ficou entregue a bandas como Beatles, Elton John e Gary Stewart. Novas vertentes nasceriam e mais músicos tornariam-se o sucesso de décadas e gerações.


Fontes:
GURALNICK, Peter in. The Rolling Stone Ilustrated History of Rock’n’Roll. Rolling Stone Press, 1976-1980
Rock – A música do século XX – Vol. 1